Quatro oliveiras à porta de uma pequena capela redonda de Alcântara sobreviveram a todos os reis portugueses desde antes de existir a dinastia de Bragança. Pelos registos de classificação da própria cidade têm cerca de 457 anos, as árvores datadas mais antigas de Lisboa, plantadas bastante antes de a Capela de Santo Amaro ao lado ter tomado a sua forma circular actual, em 1549. A capela foi reconstruída e restaurada mais do que uma vez desde então; as oliveiras cá fora limitaram-se a continuar a crescer. Nenhuma das quatro é alta, seis metros quando muito, mas os troncos ocaram e torceram-se com a idade até ficarem mais parecidos com madeira trazida pelo mar do que com oliveira de pomar. Os serviços florestais da cidade classificaram-nas por interesse cultural, pedagógico e paisagístico, linguagem burocrática para aquilo que é, no fundo, velhice bem levada. As oliveiras costumam marcar terreno agrícola, não capelas com vista de rio, e estas quatro ignoraram discretamente o facto de lhes ter crescido à volta um porto de trabalho e, mais tarde, a Ponte 25 de Abril. O alto que partilham é um dos melhores miradouros gratuitos sobre o Tejo, e numa tarde normal é a vista que leva quase toda a atenção, enquanto quatro dos seres vivos mais antigos da cidade estão a poucos passos dali, escorados, retorcidos e praticamente ignorados.
Capela de Santo Amaro, Rua de Santo Amaro, Alcântara, 1300 Lisboa
Livre, acesso permanente, jardim público em redor da capela
11 min a pé da estação de Alcântara-Terra (Linha de Cascais), ou eléctrico 15E até ao Calvário e depois 9 min a pé
Fontes
De onde vêm os dados desta página.
- No registo oficial: Arvoredo de Interesse Público (ICNF), no. KNJ1/515
- florestas.pt
- dn.pt
- pt.wikipedia.org
