O Ginkgo biloba é muitas vezes chamado fóssil vivo, uma espécie praticamente inalterada há mais de 200 milhões de anos e uma das pouquíssimas plantas que se sabe terem rebentado de novo perto do marco zero de Hiroxima, uma resistência que a espécie carrega na reputação e não na biografia desta árvore em concreto. O exemplar de Lisboa, na Praça Paiva Couceiro, no bairro operário da Penha de França, é um membro comparativamente novo de uma linhagem antiga: tem mais de um século e está classificado como árvore de interesse público, embora ninguém tenha conseguido fixar a data exacta de plantação. As folhas em leque ficam de um amarelo vivo e uniforme todos os novembros, antes de caírem quase todas ao mesmo tempo, um espectáculo sem paralelo nesta lista e que atrai uma pequena multidão anual de fotógrafos a uma praça sem nada de especial. Os ginkgos são dióicos, macho ou fêmea, e só as árvores fêmeas dão o fruto de cheiro notoriamente desagradável; se esta poupou o bairro a esse perigo de outono, ou se o sexo nunca chegou a ser registado, ninguém parece saber. Seja como for, é a única ligação viva da Penha de França a um género mais antigo do que a maioria das cadeias de montanhas do mundo.
Praça Paiva Couceiro, 1170-284 Lisboa
Livre, praça pública
Cerca de 10 min a pé da estação Arroios (Metro, Linha Verde)
Fontes
De onde vêm os dados desta página.
- No registo oficial: Arvoredo de Interesse Público (ICNF), no. KNJ1/271
- getlisbon.com
- amensagem.pt